terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um bocadinho de cultura para (não) variar

O Socorro Vou Morar Sozinha tenta ser o mais completo possível, e reparei que já teve cinema, televisão, beleza, saúde, cabelos, cozinha, decoração, livros... o que é que falta? Quem respondeu Teatro é o grande contemplado do grande prémio que é nada mais nada menos do que convites duplos cativos para verem o blog =), como prémio de participação aos restantes... terão convites single para o mesmo efeito! Aproveitem e divertam-se.

Venho falar da peça "Bovary" representada no Teatro Viriato em Viseu nos dias 16 e 17.
Esta peça tem 120 minutos de duração foi escrita, encenada, representada por Tiago Rodrigues. Que ainda deu uma mãozinha no conceito de cenografia e figurino juntamente com Magda Bizarro (responsável também pela fotografia). Conta com a representação de Carla Maciel, Gonçalo Waddington, Isabel Abreu e Pedro Gil.
Música é de Alexandre Talhinhas a partir de Bach, Chopin, Donizetti, Khachaturiam e Saltie, com construção de cenário à responsabilidade de Ângela Rocha. 
Foi produzido por Mundo Perfeito, sendo a produção executiva da Rita Mendes.

A equipa de representação e bastidores apresentam Bovary como:

" Nesta versão, desmonta-se o enredo folhetinesco do romance, página atrás de página, para expor o mecanismo da obra. O jeito didático prevalece, mesmo quando lhe sobrevém a luxúria bovarista, escondida por baixo das capas, togas e becas do tribunal. A exposição do livro e a discussão dos seus méritos, incluindo a reconstituição de cenas perante um tribunal, pontuadas pelas cartas do próprio Flaubert, fazem a balança pender mais para o lado da ironia do que para o lado da paixão.
A comédia do nosso tempo estará em não acreditar em nada?
Dizemos Bovary em voz alta e sentimos imediatamente o cheiro a perfume e escândalo. Retrato de uma mulher que, buscando fugir ao tédio de uma vida banal, embarca em relações adúlteras e vive muito acima das suas possibilidades, mandame Bovary é hoje considerada a obra seminal do realismo e um dos marcos da literatura mundial. Publicado pela primeira vez em fascículos em La Revue de Paris, em 1856, o romance de Gustavo Flaubert foi acolhido por uma parte da sociedade francesa como um atentado à boa moral cristã. Em Janeiro de 1857, começa o julgamento que senta o autor no banco dos réus, acusado de obscenidade pelo Ministério Público.
Tal como em "Três dedos abaixo do joelho", a multipremiada colagem teatral de relatórios dos censores do teatro dutante a ditadura em Portugal, Tiago Rodrigues visita o território do confronto entre a arte e lei, entre artistas e Estado. Em Bovary, o julgamento de Gustave Flaubert por atentado à moral serve como ponto de partida para uma adaptaçõ da sua obra prima Madame Bovary."

Já estás convencida(o) a ir ver? Não? Ah queres a minha opinião... Então aqui vai ela!
Sobre a peça não dás pelos 120 minutos a passar, estás tão entretida(o) a ver que quando dás por ti já terminou e ficas "Só, só mais uma...". É interessante, divertida, envolvente com uma excelente representação dos autores que vão trocando de papeis à medida que torna conveniente para a história. Mudam de roupa? Não. Mudam de voz? Não. Mas a qualidade de representação é de tal modo reconhecida que não precisam de mudar de registo para que percebas que abandonaram o papel antigo e assumiram uma nova personagem. Reconheces naturalmente!
Sais da peça com a sensação que desfolhaste todo o livro, com frequentes citações, passagens e representação... enriquecendo com um bocadinho de sal com a interpretação de cada um dos capítulos.
Só aponto um pormenor, que por vezes em certas cenas caiem no exagero, embora perceba a intenção. Não vou aprofundar muito este aspecto para não ser spoiller (também se aplica aqui?), mas levanto o véu... tem a ver com beijinhos...de mais de 20 minutos.
Recomendo, sem margem para dúvidas. Aconselho, a se tiveres oportunidade, a apostares nesta peça, faz.

Ficaste curiosa(o)?
Vais assistir?
Conheces o livro?

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