sexta-feira, 13 de março de 2015

Equador


"Quando, naquela manhã chuvosa de Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D. Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava.
Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de S. Tomé. Não esperava que o cargo de governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças o lançassem numa rede de conflitos de interesses com a metrópole. E não contava que a descoberta do amor lhe viesse mudar a vida.

Equador é um retrato brilhante da sociedade portuguesa nos últimos dias da monarquia que traça um paralelo entre os serões mundanos da capital e o ambiente duro e retrógrado das colónias.

É com esta história admirável, comovente e perturbadora, que Miguel Sousa Tavares inaugura a sua incursão no romance".

Este romance histórico de 521 páginas, é constituído por 17 capítulos que se centram na história de Luís Bernardo que desafiado pelo rei D. Carlos, abraça o título de governador-geral e viaja para S. Tomé para analisar as condições de trabalho dos negros na plantação de cacau. Missão essa, que tinha como principal objetivo desviar a possibilidade de escravatura, com a pretensão de agradar os ingleses que ameaçavam Portugal de um boicote comercial. 
Quando chegou ao destino deparou-se por um conjunto de reticências para levar a cabo a sua missão, que se agravaram com relações perigosas com Ann e David (nada mais, nada menos do que um casal do cônsul inglês que se mudará para S. Tomé com o mesmo objetivo). 
Todas estas aventuras são devidamente contextualizadas e ilustradas com a preocupação de descrever pormenorizadamente o ambiente, sem o tornar aborrecido, maçudo ou saturante, mas enriquecedor para a história e das dificuldades encontradas ou propicias para o desenvolvimento da história num dado momento. É exatamente esta preocupação descritiva que nos fica na memória depois de ler o livro, que por vezes se torna ligeiramente erótico e como tal desadequado para determinada faixa etária.
Tem uma escrita/leitura fácil, com algumas interpretações nas entre linhas que explora o envolvimento do leitor ao longo da história. Sendo necessário a atenção deste para acompanhar a história, pois tem algumas pontas soltas que só posteriormente são explicadas.
Aconselho a ler, não está no topo da minha lista de preferências, mas não me arrependo do tempo despendido ao ler, daria um 6 em 10.

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