sexta-feira, 1 de abril de 2016

Livro: O Homem de Constatinopla

Eu prometi aqui e agora venho cumprir a promessa. Este livro de José Rodrigues dos Santos antecede o já mencionado "Um milionário em Lisboa" que se bem te lembras eu achei que poderia ajudar a melhorar a minha compreensão relativamente a este último. Mas, antes de lá irmos...


"O Império Otomano desmorona-se e a minoria arménia é perseguida. Apanhada na voragem dos acontecimentos, a família Sarkisian refugia-se em Constantinopla. Apesar da tragédia que o rodeia, o pequeno Kaloust deixa-se encantar pela grande capital imperial e é ao atravessar o Bósforo que pela primeira vez formula a pergunta que havia de o perseguir a vida inteira:

“O que é a beleza?”

Cruzou-se com a mesma interrogação no rosto níveo da tímida Nunuphar, nos traços coloridos e vigorosos das telas de Rembrandt e na arquitectura complexa do traiçoeiro mundo dos negócios, arrastando-o para uma busca que fez dele o maior coleccionador de arte do seu tempo. 

Mas Kaloust foi mais longe do que isso.

Tornou-se o homem mais rico do planeta.

Inspirado em factos reais, O Homem de Constantinopla reproduz a extraordinária vida do misterioso arménio que mudou o mundo – e consagra definitivamente José Rodrigues dos Santos como autor maior das letras portuguesas e um dos grandes escritores contemporâneos."

Se no livro anterior conhecemos a sua meia idade e velhice, neste conhecemos o Kaloust versão mini, uma criança que cresceu no seio de uma família arménia que embora abastada era humilde para ambição. Desde cedo aprendeu a arte da sedução, da manipulação alheia e que para evoluir teria que aprender com os seus erros, desde cedo aprendeu a lutar por aquilo que realmente queria e que lhe era importante e claro desde cedo desenvolveu um conjunto de experiências que justificam o Kaloust enquanto adulto, por isso posso dizer que sim, que ajudou a compreender um bocadinho melhor o outro livro. Se bem que eles se interligam bastante, desconfio que foram escritos simultaneamente o que não me surpreenderia... Digo, portanto, que não há "O Homem de Constatinopla" sem "Um milionário em Lisboa e vice-versa". 

Contudo, considero este mais fácil de ler, não por apenas ter 504 páginas, nem por a linguagem ter mudado muito, porque não mudou, mas porque fluí melhor a leitura, é mais sequencial e mais envolvente,  talvez por se basear na autobiografia do homem e como tal ser escrito sob a prespetiva de alguém e não tanto de uma 3ª pessoa. O mesmo se reflete na interpretação do contexto e acontecimentos históricos que acompanham cruelmente a sua vida pessoal e profissional.

Gostei e mais uma vez não desiludiu.

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